OVAR E OS PELASGOS - Pelo Cónego Julião Pires Valente Figueira

(Os Passos num sermão de 1903, na Igreja Matriz)

Senhores:

Entre os povos mais antigos do mundo e mais célebres da história, pela sua existência mais que lendária e pela sua civilização quase fabulosa, avultam em primeira plana os celebérrimos Pelasgos que em tempos mui remotos e por largos séculos tiveram em suas mãos o ceptro dos destinos do universo.
Esta raça, tão justamente celebrada no passado e hoje quase esquecida, cuja génese a história faz remontar a 2 000 anos antes de Jesus Cristo, surpreendendo-a no seu berço do monte Cáucaso, embalada pelas brisas perfumadas do Mar Negro e dos palmares do Oriente, é como a torrente caudalosa que, despenhando-se do píncaro escarpado de altíssima montanha, alaga e fertiliza os campos sáfaros por onde distende todo o peso de suas águas espumantes.
Os filhos desta raça, de estatura elevada e formosa, de compleição forte e robusta, de génio artístico e guerreiro, afeitos às fragas como as águias de suas serranias e vazados nas cruezas da guerra como as feras de suas florestas, – onde quer que desfraldaram a gloriosa bandeira da sua pátria triunfante aí evidenciaram os progressos e eternizaram os seus feitos, erigindo monumentos que quase rivalizam com a natureza e que ainda hoje, cobertos pela hera das ruínas, são a admiração e o desespero das expedições científicas que ao longo das regiões e dos continentes lhes perscrutam os passos.

Esta raça de gigantes e artistas que talvez primeiro que os egípcios e muito antes que os gregos e romanos, de quem foram ascendentes e mestres, acendeu no mundo o farol que alumiou as civilizações do passado, que não edificava para o presente, que é o dia que passa, mas para o futuro, que é o infinito do tempo, arroteou campos, abriu estradas, murou cidades, construiu templos, criou indústrias, inventou as letras, armou exércitos, equipou caravelas, ascendeu, enfim, a um apogeu tal de progresso e glória que, dois séculos depois da sua origem, o seu vastíssimo território era teatro demasiado estreito para a exibição de tanta grandeza, chegando o seu chefe a apavorar-se ante a onda sempre crescente da população que enchia as cidades, alagava os campos, pejava as florestas e até já começava a disputar às feras as arestas dos cerros e às águias as escarpas das montanhas, no mais natural e legítimo afã de possuir um palmo de terra que lhe desse abrigo e pão.

Era forçoso alargar ainda e em muito as já dilatadíssimas fronteiras da pátria. A preocupação do futuro era geral: o rei, a corte, os vassalos, ninguém sabia que expediente tomar ou atinava com o caminho a seguir. Essencialmente religioso e crente como todo o ser que sente e pensa, celebrava um dia este povo os ofícios divinos com pompa desusada, em o maior templo da sua capital. O incenso evolava-se lentamente na amplidão, em grossas e altíssimas espirais. O silêncio era sepulcral; apenas o rumor surdo e cavo dos passos cadenciados dos sacerdotes, pondo fim às solenidades do dia, se ia esbatendo frouxamente nas colunas das arcarias e no mármore das estátuas, eis senão quando, no meio do assombro geral, na imensidão do templo soam as vibrações suavíssimas de uma voz angélica, senão toda divinal. Ninguém soube do ser a quem pertenciam tão afinadas cordas guturais, crendo-se, e não sem fundamento, que era a sua divindade protectora que das profunduras do seu tabernáculo corria a salvar o povo da sua predilecção. A voz dissera assim: “Segui a estrada do sol!”. E dias depois, um punhado desse povo, um ramo dessa grande árvore humana que tanto crescera e frondejara ao abrigo do Cáucaso, tomava o caminho do ocidente e, embalado nas ondas do Egeu, aproava às praias da Grécia, onde ia levar os cânticos da Jónia e da Eólia e despertar as musas do Ponto e do Peloponeso.
Da Grécia passam à Itália, da Itália à França, da França à Espanha, e da Espanha a Portugal. E, como o sol que lhes ensinara o caminho e se esconde nos abismos misteriosos do mar, sem norte e sem guia, aqui se detiveram neste clima tão igual ao da sua pátria, assombrados ante a majestade do oceano, como verdadeiros e dignos antepassados dessa futura raça de heróis, de quem o grande Camões um dia havia de cantar: “Se mais mundos houvera, lá chegara!”.
E este povo, senhores, tão antigo no mundo, tão célebre na história que por espaço de milhares de anos empunhou o ceptro da realeza que presidiu aos destinos do mundo velho, arvorando em toda a parte o lábaro da civilização, assombrando e maravilhando o universo com o estrondo dos seus grandes feitos e com a imponência dos seus estupendos e indestrutíveis monumentos que ainda hoje, 35 séculos depois, desafiam o camartelo das revoluções e o aríete dos cataclismos nos muros de Tarragona e Sagunto...

Este povo tão antigo, tão célebre, tão viajante, tão guerreiro, tão artista, tão empreendedor, sabeis quem é, o que vale, o que significa, o que representa relativamente a vós – os nobres habitantes da antiga célebre e viajante e artista e empreendedora vila de Ovar? Atenção e respeito; vai dizê-lo não o orador, que nada sabe, mas a história, que fala assim:

“Pelos annos 1372 antes de Jesus Cristo, Baco, filho de Semele, acompanhado de muitos gregos pertencentes todos à celebérrima e formosíssima raça pelasgiana, invadiu a Lusitânia e fundou no seu litoral, entre outras povoações de somenos importância, a antiga Valábriga – Aveiro –, e a vossa histórica vila de Ovar".
O passado, senhores, não há negá-lo, é um mar sempre envolto em nebrinas eternas que os modernos progressos da ciência, da arte e da indústria só muito a custo vão devassando.
O que, porém, é certo, é que esta minha opinião sobre a vossa origem histórica, segundo creio para vós muito lisonjeira, não é de todo gratuita, pois, além de autorizada por grandes historiadores que apresentam os Pelasgos como colonizadores do ocidente da Lusitânia, está plenamente em harmonia com a índole moral e o carácter plástico dos habitantes de Ovar.
Não me sobra o tempo para pôr bem em relevo os pontos característicos mais frisantes do paralelo, senão provar-vos-ia que vós, os gloriosos filhos de Ovar, sois o quadro vivo, o tipo inconfundível desse povo que em tão remotos tempos aqui veio plantar a árvore da vossa geração. Não é fadário, índole, génio vosso, correr mundos, peregrinar, viajar ao longo dos continentes e dos mares? Não formam os vossos irmãos de trabalho uma colónia mais ou menos numerosa das grandes cidades marítimas, especialmente da Europa, da América e da África? O que significam essas idas e vindas, essas emigrações quase periódicas do vosso povo? Demais, como os seus antepassados – os Pelasgos –, não constrói, não edifica, não levanta monumentos, núncios de sua passagem onde quer que Deus ou o destino lhe fez aproar o baixel?
É precisamente este ponto que eu desejo salientar e que melhor se casa com o meu fim – mostrar o vosso génio empreendedor, verdadeiramente herdado da vossa gloriosa ascendência pelásgica, eternizado em monumentos que o tempo não consome e que a posteridade, ao passar, caminho ao túmulo, terá de saudar com respeito e admiração.
Monumentos tende-los antigos e modernos. Entre os modernos figuram dois templos – o de Deus e o dos homens: esta sumptuosa Igreja, concluída em 1844, e o vosso magnífico Tribunal, que todos vós fizestes surgir do solo ao influxo potentíssimo da vossa vontade de ferro. Obras estas de largo fôlego e vasta envergadura, que nestes tempos de decadência manifesta e de sórdido egoísmo clamam bem alto que o sangue puro e quente que vos gira nas veias, e o génio empreendedor e arrojado que preside às vossas acções estão ainda em todo o seu vigor oriental.
Monumentos antigos houve muitos e poucos já hoje restam aí: tivestes um palácio real acastelado, um pelourinho… que não sei se o tempo ou o mau gosto destruiu ou transformou!...O que aí resta, o que aí está ainda de pé e que é uma das vossas maiores glórias presentes e pretéritas, e que faz todo o objecto desta simpática e grande festa, são as antiquíssimas Capelas dos Passos.
Quereis que vos diga quem as levantou? Ninguém o sabe. No granito das suas formas sólidas e graciosas parece esbaterem-se os primeiros clarões ao sol da Renascença. O que se sabe, porque a tradição o diz, é que durante 60 anos se cobrou o imposto de um real para a sua construção; o que sabe é que em 1727 são reformados os estatutos por que se regeu, desde tempos imemoriais, a sua veneranda Irmandade; o que se sabe é que em 1646 o Papa Inocêncio X enriqueceu a mesma Irmandade com muitas e valiosas indulgências. Eis quanto se sabe. Não é muito, porém o de sobra para presumir que esta veneranda Irmandade dos Santos Passos é tão antiga que conta sua idade não por dezenas de anos, mas por lustros ou séculos, e que é longa a sua história e larga a sua folha de benemerências de toda a ordem.

Bem de certo muito vos desvaneceis de conhecer a longuíssima história da vossa tão veneranda Irmandade dos Santos Passos que vos é tão querida. Como vós, também quisera eu conhecer os seus vultos mais proeminentes, as suas acções mais brilhantes, para tudo poder celebrar aqui em face dos altares ao Deus da Justiça e da Moralidade. É crível que haja tido decadências e progressos – aliquando dormit Homerus. Eu, senhores, apenas conheço uma página do livro da sua história: é essa que aí está patente a naturais e estranhos, em que eu vejo celebrado, a plena luz, o primeiro capítulo das suas monumentais reformas! Os caracteres que o formam, as tintas que o colorem, as iluminuras que o engrinaldam são tudo o que há de mais digno de mais formoso, de mais rico, de mais irrepreensível e até de mais prometedor. E já que o passado, por longínquo tenebroso, é túmulo que para nós se cerrou, digamos com a Igreja, que de todos é mãe – parce sepultis –, e saudemos o presente que se ostenta, cheio de vida, opulento de luz, e exuberante de progresso.

Bem haja, pois, a Excelentíssima Mesa que ora preside à sua direcção, restaurando a primeira Capela da sua venerandíssima Irmandade. Prova inquestionavelmente o decidido afinco com que se desempenha do honroso e difícil mandado que vós lhes impusestes elegendo-a. As vossas esperanças, pois, quando em livre e espontâneo escrutínio a cada um dos seus digníssimos membros conferistes o honroso diploma de mesário, não só estão satisfeitas, foram até excedidas. O seu mérito, o seu trabalho, a sua glória, não se celebram nem evidenciam em declamações banais ou em platónicos relatórios, mostra-se e afirma-se em obras dignas de todo o apreço e do maior elogio.

Não quero que me classifiqueis de lisonjeiro: nem o meu carácter nem o lugar que ocupo se prestam a essas exibições mentirosas; mas heis-de permitir que não desça deste púlpito sem de um modo solene e digno vos deixar bem consignado o testemunho da minha admiração, felicitando-vos pela obra de restauração tão brilhantemente iniciada nessa Capela que doravante ficará sendo a jóia mais preciosa deste sumptuoso templo e o título mais legítimo do vosso génio artístico, do vosso espírito reformador e não menos do vosso tino administrativo.

E avante, dirigentes e dirigidos! Jamais deslustreis a vossa histórica linhagem de filhos dessa árvore que, mergulhando suas possantes raízes nas fragosidades do Cáucaso, bracejou ao largo e ao longe até cobrir com a sua colossal ramagem esta vossa tão querida como formosa Vila que vos foi berço, que vos é pátria e que vos há-de ser túmulo.

Continuai a afirmar a pujança do vosso génio artístico e a ardência da vossa crença religiosa. As grandes obras, os empreendimentos arrojados exigem trabalho e sacrifício, demandam a concorrência generosa e a boa vontade de todos. Desanimar, desertar do campo porque a empresa tem dificuldades, é só próprio dos grandes cobardes e nunca dos grandes heróis. Uma vez aqui arvorado o estandarte da restauração, saudai-o com o entusiasmo do escravo que beija as mãos do seu libertador, e segui-o – que Deus o quer. Não pergunteis nem queirais saber quem empunha o bastão do mando; vede só se é recto o caminho que trilha e justa a causa que defende, e saí a engrossar a fileira dos beneméritos da religião e da pátria. Á frente de todos, na vanguarda de todos – dirigentes e dirigidos –, destaca-se como o sol entre os astros de primeira grandeza, o vulto simpático e proeminente de um saudoso filho desta vossa terra, que tanto se elevou na escala dos beneméritos que depois da morte ficou sendo para todos não só um homem de bem, um cidadão prestimoso, um crente devotado, um paladino intemerato, mas mais, muito mais que isso – um símbolo de amor pátrio e de crença religiosa.

Quereis, para glória e edificação de naturais e estranhos, que lhe cite o nome e lhe aponte o busto? É o Exmo. Sr. António Ferreira Meneres, que já há muito Deus coroou no Céu e a quem muito a digna direcção da veneranda Irmandade dos Santos Passos mandou retratar a óleo, saldando uma dívida de gratidão e inaugurando a série dos seus maiores e mais extremados benfeitores. Honra, pois, aos beneméritos, e que o justo e nobre motivo desta festa seja o incentivo poderoso e fecundo de novos e maiores empreendimentos.

Te Deum laudamus.

Ovar, 1903
Julião Pires Valente Figueira


Cónego Julião Pires Valente Figueira

Nascido em Loureiro (Oliveira de Azeméis) em 2/2/1871, foi ordenado sacerdote no Porto em 1893, sendo nomeado pároco de Mansores (1897) e Lamas (1898). Dedicando-se à pregação, percorreu todo o país.
Em 1906 acompanhou como secretário particular D. António Barbosa Leão, Bispo de Angola e Congo, e poucos anos depois, Bispo do Algarve, de cuja catedral foi nomeado Cónego.
Em 1911 partiu para S. Paulo, no Brasil, onde foi pároco de Santa Bárbara e de S. Pedro (1912/13) e donde regressou em 1918. Nomeado pároco de Matosinhos em 1919, partiu para Goa com D. Teotónio Vieira de Castro, Patriarca das Índias, sendo por este nomeado Reitor do Seminário de Rachol (na foto). Regressando à Pátria em 1932, por doença, residiu em Milheirós de Poiares (Feira) e Espinho, onde veio a falecer em 25/3/1958.




ANTÓNIO FERREIRA MENERES (Filho)
Irmão Benemérito da Ordem da Trindade (Porto)

Nascido em Ovar, na Rua das Figueiras (actual Rua Dr. José Falcão), em 26/04/1830,(1) António Ferreira Meneres foi um homem de reconhecidos créditos no comércio de vinhos do Porto (2). Cidadão de sólida formação cristã, alistou-se, em 1851, na Ordem da Trindade (3), instituição em que exerceu cargos importantes, e da qual viria a ser reconhecido com insignal benfeitor.
Em 29 de Junho de 1852, tendo 22 anos, e sendo Irmão Mesário, ofereceu um novo altar para a sala dos convalescentes, “para nelle se erigirem as imagens do Andor da SS.ma Trindade” (4).

Em 1856, já Mestre de Noviços, na gerência do Prior José António de Sousa Basto (Visconde da Trindade), Ferreira Meneres ofereceu “uma valiosíssima chave do sacrário” feita “em ouro de moeda”, com laço de lhama de prata bordado a ouro” (5). Em Janeiro de 1861, quando da visita do Rei D. Pedro V ao Porto e à Ordem da Trindade (de que foi investido Protector), era definidor da instituição (6), a cujo Hospital doou, em 0/2/1864, um equipamento (7), e a cuja Igreja ofereceu as vestes da imagem da Santíssima Trindade (imagem com 55 anos (8) e outras importantes dádivas.

Sendo Prior da Ordem, contribuiu para a compra do terreno para o cemitério privativo em Agramonte (9), ultimando, em 1870, como Procurador-Geral, a sua aquisição, e assinando, em 1872, a correspondência para a construção do monumento ao Conde Ferreira (10) no mesmo cemitério.
Em 1873 assina de novo como Prior, e no ano seguinte é substituído por Francisco Ferreira da Silva Fragateiro (11).
Na sessão plena da Mesa de 13/01/1875, com ele ausente da sala, foi decidido colocar o seu retrato na Secretaria da Ordem, “entre os mais benfeitores”. Da respectiva acta consta a seguinte proposta apresentada pelo Irmão Secretário, e aprovada por unanimidade:
(…) Os serviços prestados à nossa Ordem por este cavalheiro durante o longo período de 14 annos em que tem exercido succesivamente os cargos de Definidor, Procurador Geral, e ultimamente o de Prior, são taes, que se julga digno de reconhecimento d’esta administração. Fallarei, especialmente, dos que prestou durante o tempo de seu Priorado, tanto na acquisição do terreno para o nosso Cemitério privativo em Agramonte, como nos trabalhos das plantas para o zimbório da nossa Egreja. Para ocorrer às despesas da compra do terreno para o Cemitério, que tantas dificuldades venceu, para a conseguir, concorreu elle tanto para esta como para as obras que ali se teem feito, com a importante acquisição de cerca de cem indivíduos para irmãos d’esta Ordem; e para o das plantas generosamente contribuia com a importante cifra de quatrocentos e cincoenta mil reis (450$00), com que se satisfez ao Engenheiro, José de Macedo Araujo Jr., encarregado d’aquelles trabalhos. A este dispendio mencionarei mais os jornaes que pagou a determinado numero de operarios, que, durante o tempo que exerceu o cargo de Procurador Geral, satisfez por muito tempo na importancia de quatrocentos e tantos mil reis, sem que o offerente permitisse a declaração do seu nome desta offerta: Por todas estas razões, submeto à consideração da Meza a seguinte PROPOSTA: Que a Meza resolva, que o retrato do digno Prior, seja collocado entre os mais bemfeitores na Secretaria d’esta Ordem.

Porto, Secretaria Celestial Ordem 3.ª da SS. Trindade, 13 de Janeiro de 1875.
(Assignado) – Ignacio Teixeira Leite e Silva – Secretario. (…).

No capítulo “Os Retratos” da “História Documental da Ordem da Trindade” elaborada pelo Dr. B. Xavier Coutinho (Porto, 1972, pág. 993 – 994), António Ferreira Meneres figura em 14.º lugar entre os 16 que constam na galeria dos benfeitores.
Por iniciativa da Mesa da Irmandade, houve, em 29/11/1888, exéquias por sua alma, com a presença de familiares, alunos e professores do Liceu da Trindade, órfãos, mesa e outras pessoas.
As alunas da Escola de Música da Ordem cantaram o “Libera me”, de António Canedo, estando este maestro ao órgão. Ao centro da Igreja havia um pavilhão com o retrato do falecido e a inscrição:
“A António Ferreira Meneres, ex-prior e insigne benfeitor da Ordem Terceira”.
Foi também colocada uma coroa no seu mausoléu, no cemitério privativo da Ordem (12).
Dele afirma o Dr. Bernardino Xavier Coutinho que “foi um cavalheiro tão caritativo como piedoso”, e que a sua actividade na Ordem “foi realmente excepcional”.
Foi-lhe atribuída a Comenda de N.ª Sr.ª da Conceição de Vila Viçosa e, já no ocaso da vida, o título de Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, com carta de Barão de 20/12/1887.
Ovar deve-lhe, tal como a seu pai, algumas benemerências, como o pequeno órgão de tubos existente no Coro da Igreja, construído na Inglaterra por Bishop, em 1862.Na Paróquia vareira houve Missa de 7.º dia e responso por sua alma em 24 de Setembro de 1888.

(1) Seu pai, António Ferreira Meneres, nasceu em Ovar em 12/08/1808, filho de Francisco Meneres e de sua esposa, Ana de Oliveira, vindo a falecer em 21/04/1860 no Porto, onde prosperou no ramo vinícola. Possuindo “a grandeza de alma e as sólidas virtudes de verdadeiro cristão”, fez benemerências a instituições religiosas, nomeadamente às paróquias de S. Nicolau (Porto)e de Ovar (Igreja, Hospital e Passos).
(2) Fundador da extinta Empresa de Vinhos António Ferreira Meneres, casou em Cedofeita (Porto) em 902/1863, com Isabel Maria da Cunha.
(3) A Arquiconfraria Celestial da Ordem Terceira da Santíssima Trindade da Redempção dos Cativos da Cidade do Porto sucedeu, em 1755, à 3.ª Ordem Dominicana, extinta nesse ano por Bento XIV. Teve a primeira sede na Capela de N.ª Sr.ª da Vitória, na Batalha, donde passou para a Igreja do Calvário Novo, na actual Cordoaria (1786-1804).
(4) Livro das Actas das Sessões da Mesa, f.ª 15.
(5) Livro 3.º das Actas, f.ªs 28 v.º; e Boaventura Silveira, “A Ordem Terceira da Trindade e a Sociedade Portuense – séc. XXVII – XX”, Porto, pág. 161, 162.
(6) Actas, f.ªs 78 – 80 (Vist. Doc., pág. 736).
(7) Sessão Camarária do Porto, f.ª 9.
(8) Boaventura, pág. 193.
(9) Copiador de Ofícios, n.º 3, pág. 12, 13 e 16.
(10) Id. N.º 3, pág. 49.
(11) Este Francisco Ferreira da Silva Fragateiro, que já antes tinha exercido esta função, poderá também ser natural de Ovar.
(12) “O Primeiro de Janeiro”, 30/11/1888.

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