15/05/17

Escultor Luís Ferreira de Matos recria São Cristóvão

Está a ser fundida em bronze a imagem de São Cristóvão, esculpida por Luís Ferreira de Matos, para a frontaria da Igreja Matriz de Ovar. A antiga escultura, em pedra ançã, ficará exposta no interior da Igreja, como aconselham os entendidos em Arte, para que seja preservada da destruição.

SÃO CRISTÓVÃO
Escultura de Luís de Matos

Foto: Manuel Pires Bastos
LUÍS DE MATOS
Foto: M. Pires Bastos
Por feliz coincidência, o escultor Luís Ferreira de Matos, natural de Arada e com obra de reconhecido mérito internacio­nal, quis presentear a Paróquia de Ovar com uma nova e bela imagem do seu padroeiro (ainda em gesso, na foto), adequando-a à dimensão do nicho da atual igreja. Não esqueçamos que a antiga imagem, do século XV, deverá ter sido dimensionada para nichos mais pequenos, condizentes com as dimensões da igreja da então, chamada Paróquia de São Cristóvão de Cabanões, com sede primeiro na capela de S. João e depois no largo que fica à sua ilharga, do outro lado da estrada.

A Paróquia de Ovar conta com boas vontades para a rápida execução da imagem.

A antiga imagem de S. Cristóvão desde os al­vores da nossa nacionalidade acompanhou a vida cristã da Paróquia de Ovar, que o escolheu como padroeiro, primeiro com o nome de S. Cristóvão de Cabanões(1) e, depois, quando da sua mudança para a atual localização, como S. Cristóvão de Cabanões da vila de Ovar e, finalmente, S. Cristóvão de Ovar(2).
Porque essa preciosa imagem quinhentista de S. Cristóvão [foto, em baixo] apresentava graves problemas de conservação, devido à sua prolongada exposição às inclemências do tempo, e em ordem a salvaguardar a sua integridade, foi ela sujeita a um cuidadoso trabalho de limpeza e de fixação por parte de pessoa perita na matéria, aguardando o momento de ocupar um lugar de honra no interior da sua casa. M. P. B. 

Notas:
(1) Cabanões e Muradões são referidas num documento de 1026, ligado a um ato de pirataria praticado por normandos. (Clique AQUI para ler este texto)
(2) São de 1588 os assentos paroquiais que registam este título.


SÃO CRISTÓVÃO
Escultura em pedra ançã
Igreja Matriz de Ovar
(séc. XV-XVI)

Foto: Fernando Pinto

O PADROEIRO DE OVAR

Desde há oito séculos, pelo menos, que S. Cristóvão é o Padroeiro de Ovar. 
À sua vida real, desconhecida, sobrepõem-se duas versões lendárias. 
Uma, de origem grega, apresenta-o como um bárbaro, convertido ao cristianismo. Alistado no exército imperial de Roma, quiseram os seus superiores que renegasse a fé. Recusando-se a tal, foi supliciado e morto.

Segundo a versão lendária ocidental, Cristóvão era um gigante, com a mania das grandezas. Colocando-se ao serviço de um rei que lhe afiançaram ser o mais poderoso do mundo, jurou que jamais aceitaria servir outro. Porém, desfeiteado e ferido no seu orgulho ao saber que Satanás era muito mais poderoso do que o rei que ele servia, logo se colocou ao seu serviço. 
Finalmente, ouvindo dizer, por um monge eremita, que Cristo era muito mais poderoso, pediu-lhe que o preparasse a fim de O conhecer melhor e de O servir. Foi aí que o ermitão o convenceu de que Deus apreciava os homens não pela força muscular, intelectual ou outra, mas pela bondade que mostravam para com o próximo. 
Cristóvão, não obstante a arrogância e o orgulho a que se tinha habituado, acabou por entender a mensagem. A partir de então, dedicou a sua vida ao serviço do próximo, atravessando pessoas entre as duas margens de um rio. 
Aconteceu que, numa noite escura e tempestuosa, um menino lhe pediu que o transportasse. O gigante pegou nele com facilidade, repetindo, pela milésima vez, aquele gesto benfazejo. Só que, a meio da travessia, algo de muito estranho passou a tolher-lhe as forças, vergando-lhe as pernas. Não era a força da correnteza nem nenhuma doença súbita a roubar-lhe as forças. Era o menino que pesava cada vez mais!... 
A custo, intrigado e quase exausto, prestes a dar parte de fraco, lá conseguiu chegar à margem. Já a salvo, desabafou:  «O mundo não é mais pesado do que tu, meu rapaz! Nunca vi coisa assim. Afinal, quem és tu?». 
– «Tiveste às costas mais do que o mundo inteiro» – respondeu o menino. «Transportaste o Criador dele. Sou Jesus a quem tu serves». 

Segundo esta lenda, Cristóvão, que já servia os outros com dedicação e amor, passou a entregar-se ainda mais à sua tarefa, pois percebeu que ao carregar os outros às costas era como se transportasse o próprio Cristo. 
Serviu até dar a vida, sofrendo o martírio, em data incerta do séc. III. 
Bem se lhe podem aplicar as palavras de Lacordaire, por certo também inspiradas no significado etimológico do nome deste santo: 
– «Cristão é todo o homem a quem Cristo confiou os outros homens». 

S. Cristóvão e a devoção popular 

É o patrono dos viajantes motorizados e das crianças nos seus triciclos. É comemorado, segundo o martirológio, em 25 de Julho. A imagem enorme deste “porta-Cristo” encontra-se na parede de muitas igrejas do Ocidente. A devoção popular achava que quem olhasse S. Cristóvão (na sua imagem) estava resguardado de qualquer desgraça para esse dia. Por isso era representado com enormes dimensões, a fim de poder ser visto à distância. 


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