18/04/12

O Cordeiro do Apocalipse e o Livro dos Sete Selos

Na mão direita daquele que estava sentado no trono havia um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos. (Livros do Apocalipse, 5, 1)

Cordeiro Pascal com o Livro dos 7 Selos, na Capela do Santíssimo Sacramento
(Igreja Matriz de Ovar)

Tela da Matriz de Ovar, pintada por Carlos
Mendes (1869-1922), de Aveiro, oferta de Maria
 Pereira da Graça, e ali colocada em 17 de julho
de 1915. (Substituída em 1946 pela tela atual,
executada pelo pintor espanhol German Iglesias

Entregou-se ao sacrifício
O Cordeiro redentor,
E corre sangue divino
Das fontes da Salvação,
Onde se pode lavar
Todo o pecado do mundo.

(De um hino litúrgico de Laudes)


O Cordeiro do Apocalipse
e o Livro dos Sete Selos

Jesus Cristo, o Cordeiro Místico, é o único que tem poder e autoridade para abrir as sete revelações do Livro da Vida, ali descrito como um rolo fechado com sete selos, significando isto que só alguém com grande poder será capaz de os abrir.

O conceito de Sete Selos parte da interpretação escatológica do livro do Apocalipse (ou da Revelação), o último da Bíblia Sagrada (capítulos 5 a 9):

“Um dos anciãos disse-me: Não chores; o Leão da Tribo de Judá, descendente de David, conseguiu abrir o livro e desatar os sete selos” (Ap. 5, 5).

É tido como autor o Evangelista São João, mas pelo estilo da sua escrita considera-se que se trata de uma revelação a João de Patmos, que pode ser um escritor diferente de S. João.

Segundo a interpretação consensual das Igrejas cristãs, o tema do Apocalipse é a previsão do fim do mundo (antes, durante e após a vinda final do Messias, vinda essa anunciada pelo próprio Jesus Cristo).
A mensagem do Apocalipse, partindo da fé em Cristo Ressuscitado, centraliza-se na figura do Cordeiro, em cujas mãos está a chave que abre as portas do Céu (4,1).


Pormenor do antigo painel, com o Livro dos Sete Selos, 
que se encontrava na tribuna do altar-mor da Igreja Matriz de Ovar

Visão do Cordeiro Imolado:
“Eu vi no meio do trono, dos quatro animais e dos anciãos um cordeiro de pé, como que imolado, tendo sete chifres e sete olhos que são os sete espíritos de Deus, enviados por toda a terra” (5, 6-7).
Além dos Sete Selos (Ap. 1, 1-17, 8, 1-1-5), são referidas Sete Trombetas (Ap. 8, 6-21); 11, 15-19) e Sete Taças (Ap. 16, 1-21; 115, 15-19); 15, 1-8) correspondentes a três séries de julgamentos de Deus que se sucedem progressivamente, e cada vez mais apertados e devastadores à medida que se aproxima o fim do mundo.
Cordeiro místico sobre o Livro dos 7 selos,
na Capela Sr.ª da Graça, Ovar
Os quatro primeiros selos são denominados os quatro Cavaleiros do Apocalipse:
O primeiro (Cristo ou o anticristo) montado num cavalo branco (6, 1-2);
O segundo num cavalo vermelho (6, 5-6) produzindo guerras (6, 3-4);
O terceiro num cavalo preto, trazendo mais fome (6, 5-6);
O quarto, num cavalo amarelo, trazendo mais fome e mais guerras (6,7-8);
O quinto refere-se aos mártires que no fim dos tempos dão a vida pela sua fé (6,9-11);
O sexto aos 144 mil assinalados e à sua libertação por Deus. (Quando este selo for quebrado, acontece um terramoto devastador (6, 12-14), levando os salvos a dizer aos montes e aos rochedos: “Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está sentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro, porque é vindo o grande dia da sua ira, e quem poderá subsistir? (Ap. 6, 16-17);

O sétimo selo (8,6-21) corresponde ao silêncio do céu, anunciador do grande dia. Quebrado pela oração de todos os santos, começam a ouvir-se sete trombetas (8, 1-5), a primeira das quais causando granizo e fogo, destruidores das plantas (8, 8-9), a terceira destruindo a vida nos lagos e rios (8,10-11), a quarta fazendo escurecer o sol e a lua (8,12), a quinta fazendo cair do céu uma estrela que provoca fumo do qual saem gafanhotos, a sexta pedindo para serem libertados os quatro anjos que estavam presos, e a 7.ª anunciando que a realeza do mundo passou para o Senhor e seu Cristo (11,15).

Os Sete Selos estão enquadrados no conjunto da visão descrita nos capítulos 5, 6, 7, 8 e 9 do Apocalipse.
A Igreja, entretanto, participará nas Bodas do Cordeiro, o grande casamento entre o Espírito e a Esposa (22,17), que dizem a cada crente: Vem!



Estudo de Carlos Mendes, arquiteto, desenhador e pintor de Aveiro para a tela da sua autoria, que esteve na tribuna da capela-mor da Igreja Matriz de Ovar de 1915 a 1946. No registo inferior, Cristo, o Pão da Vida, está rodeado pelos Apóstolos, apontando o registo superior, onde anjos, serafins e querubins louvam e incensam um ostensório com a Eucaristia, que se sobrepõe ao Cordeiro Místico repousando sobre o livro dos Sete Selos. (Quadro existente em casa de D. Edwiges Simões Pacheco.

Pormenor do painel com a custódia e o cordeiro, usado em dia de exposição
do Santíssimo Sacramento, colocado à porta da Igreja Matriz de Ovar
(Em cima pode ler-se "SS d'OVAR - 1874") 



Este painel está exposto na Casa-Museu de Arte Sacra da Ordem Terceira
até 21 de setembro de 2013. Clique AQUI para aceder ao sítio da Casa-Museu.

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